Que noite de enfado.
Que serão sonolento.
Ver aqueles dois bons amigos só me fez adorar o meu sofá. Quente, fofo, alegre até por me envolver em suas espumas dengosas.
O País deprime-se, o País agacha-se, o País encolhe-se e aqueles dois divertem-se numa noite fria de Outono a conversar, calmamente, pausadamente, desinteressadamente, desinteressantemente sobre tudos, sobre nadas.
Dei por mim a achar que mais valia estar a gramar com as parvoíces, exageros e desmesuras do Louçã.
Dei por mim a pensar que se aquele homem, que tanta esquerda arroga, vale apenas aquilo mais valia estar a pescar lampreias numa qualquer barragem do Mondego ou à janela da sua casa de veraneio ali para os lados de Águeda, de calça arregaçada, gritando impropérios contra o presidente da Câmara, do Governo, da Madeira. Sei lá, a qualquer um que não tenha dito ao S. Pedro que, de cada vez que manda chuva, lhe inunda a calça. Eu até gostei do último livro que li, de autoria do Dr. Alegre, mas nesta triste noite senti-me um cão abandonado, um cão sem dono, um cão no sofá olhando duas cadelas na TV em contorcionismos mais ou menos pornográficos e reveladores da real valia das cadelas. Nada vale mais que uma imagem, apenas uma sondagem.
Bem, quanto ao outro, pelo menos teve o condão de não me causar nenhuma indisposição estomacal o que, tendo em conta a feijoada pretérita que com todo o gosto devorei minutos antes, poderia provocar chuva da grossa. Seria uma pena, lá ia inundar a varanda do Dr. Alegre de novo.
O outro tem a lição estudada. Cá para mim tem algum cordão atado nos ditos, com a célebre Maria do outro lado. Prontinha a dar-lhe cabo da fruta ao mínimo indício de irritação, crispação ou opinião mais recôndita e reveladora do seu real eu.
Está mais que visto, o senhor não vai falar quase nada, dirá muito pouco, não revelará uma migalha (não vá a dita resolver sair-lhe disparada pelos cantos da boca, sempre mal fechados e inundados da saliva) e sobretudo não comerá Bolo-Rei. Nunca. Cavaco abolirá o Bolo-Rei, como aboliu o Carnaval. O Bolo-Rei custou-lhe 10 anos. Terá entretanto aprendido a comer de boca fechada?
Ainda há esperança. Esperança que reside na capacidade estupidamente útil de Louçã fazer qualquer homem sério perder as estribeiras e revelar-se, sim será a primeira esperança.
A segunda virá com o Mário. 8 décadas de argúcia e perspicácia não têm dado frutos que se vejam. Mas cara a cara veremos o Mário de sempre. O Mário que fará este País levantar a cabeça e olhar em frente. O Mário que fará com que Cavaco volte a revelar-se e que a memória de muitos volte a avivar-se.
O Mário que será de novo Presidente desta nossa República.
Força Mário
Por ti, por nós e pela mesma razão de sempre: PORTUGAL!